Marfrig
- Principais riscos que a própria Companhia enxerga e assume

Principais riscos da Companhia

Os negócios da Companhia podem ser prejudicados pelo seu nível de endividamento.

A Companhia possui um nível expressivo de endividamento e pode ainda incorrer em valores adicionais significativos de dívida. Em 30 de setembro de 2012, o endividamento bruto da Companhia era de R$12.140,9 milhões, sendo, aproximadamente, 25,5% em reais e 74,5% em outras moedas, em linha com os 72,7% de suas receitas geradas em outras moedas que não o real em 2012. Em 30 de setembro de 2012, 26,6% da dívida da Companhia vencia no curto prazo, contra 20,1% no mesmo período de 2011. Tal endividamento não inclui o Instrumento Mandatório Conversível em Ações, uma vez que diferentemente de outros itens do passivo da Companhia, o Instrumento Mandatório não é passível de liquidação em caixa ou equivalentes, mas apenas em ações ordinárias de emissão da própria Companhia.

As principais fontes de financiamento da Companhia compreendem: (i) fluxo de caixa gerado por suas atividades operacionais; (ii) endividamento bancário de curto e longo prazos; (iii) emissão de ações (equity) e; (iv) emissão de dívida (bonds e debêntures).

Os principais usos desses financiamentos envolvem custos e despesas relacionados à operação dos negócios, desembolsos de capital, incluindo o investimento em novas plantas, expansão e/ou modernização das plantas existentes, e exigências de pagamento do endividamento (despesas financeiras e amortização).

Caso as estratégias de captação da Companhia não sejam bem sucedidas, a Companhia pode não ser capaz de realizar os investimentos e desembolsos de capital necessários, o que poderia reduzir suas vendas futuras e afetar negativamente sua rentabilidade e posição financeira.

Adicionalmente, os recursos financeiros necessários para cumprir os compromissos de dívida da Companhia podem levar a uma redução nos recursos disponíveis para as operações, podendo prejudicar a Companhia.

Caso a Companhia não consiga refinanciar sua dívida a vencer ou o seu fluxo de caixa das operações não cresça conforme esperado, ou ainda, diminua significativamente por qualquer razão, a Companhia poderá não ser capaz de cumprir suas obrigações, podendo ser necessário renegociar dívidas, buscar capital adicional ou até mesmo vender alguns de seus ativos. Em qualquer um desses cenários, a Companhia poderá não ser capaz de obter financiamento, realizar captações ou vender seus ativos em condições favoráveis, o que poderia causar um efeito substancialmente negativo para a Companhia.

Nos termos dos contratos financeiros dos quais é parte, a Companhia está sujeita a obrigações específicas, bem como a restrições à sua capacidade de contrair dívida adicional.

A Companhia é parte em contratos e compromissos financeiros que exigem a manutenção de certos índices financeiros ou o cumprimento de determinadas obrigações. Qualquer inadimplemento dos termos de tais contratos que não seja sanado ou renunciado por seus respectivos credores poderá acarretar no vencimento antecipado do saldo devedor das respectivas dívidas e/ou de outros contratos financeiros. Determinados financiamentos incorridos contêm cláusulas que impedem a Companhia de contrair dívida, a menos que o seu índice de alavancagem seja menor que 4,75x. Além disso, alguns dos contratos celebrados pela Companhia impõem restrições à sua capacidade de distribuir dividendos, contrair dívidas adicionais, ou até mesmo de prestar garantias a terceiros ou a novos financiamentos. Dessa forma, caso ocorra qualquer evento de inadimplemento previsto em tais contratos, o fluxo de caixa e as demais condições financeiras poderão ser afetados de maneira adversa.

A Companhia busca crescimento, diversificação e internacionalização, inclusive por meio de aquisições, e enfrenta riscos resultantes desta estratégia, entre eles riscos relativos à integração das aquisições, à gestão de suas operações, e à eficácia de seus controles internos e cumprimento de procedimentos.

A Companhia analisa e busca constantemente novas oportunidades de aquisições como parte de sua estratégia de crescimento. As aquisições, principalmente as que envolvem empresas maiores, apresentam riscos e desafios significativos. Tais aquisições podem ainda causar problemas para a Companhia devido a perdas, contingências, riscos e outros fatores que a Companhia não tenha ciência à época da realização de tais operações. As aquisições internacionais apresentam dificuldades adicionais, tais como o cumprimento de leis e regulamentos estrangeiros e integração de pessoal com práticas gerenciais diferentes, o que pode aumentar a exposição a riscos associados a operações internacionais.

A estratégia de crescimento e de aquisições da Companhia também representa um desafio para os controles internos com relação à divulgação de informações financeiras e ao monitoramento do cumprimento de termos contratuais, sendo que não é possível garantir que os controles internos atuais da Companhia sejam suficientes. Além disso, a Companhia depende da eficácia de tais controles e do cumprimento de procedimentos e, caso estes se mostrem insuficientes, isto poderia causar um impacto negativo nos negócios da Companhia, fazendo com que a mesma possa não ser capaz de divulgar seus resultados financeiros a tempo e de maneira precisa, evitando fraudes ou o descumprimento de contratos relevantes.

Qualquer um destes fatores pode ter um efeito negativo sobre a Companhia.

A Companhia pode não ter êxito em capturar sinergias entre as suas aquisições.

Nos últimos anos, a Companhia realizou inúmeras aquisições, dentre elas Seara, Keystone e O'Kane e, mais recentemente, concluiu uma transação de troca de ativos com a BRF. Tais aquisições podem envolver uma série de riscos, inclusive problemas durante a integração dos negócios adquiridos, operações em mercados em que a Companhia não possui experiência, ou possui experiência limitada, perdas potenciais de clientes e de executivos e funcionários chave dos negócios adquiridos, bem como o risco de exposição a passivos das empresas adquiridas.

Com relação à troca de ativos com a BRF, a Companhia pode ainda enfrentar dificuldades operacionais com os ativos adquiridos durante o período de transição. Quaisquer dificuldades relacionadas às aquisições e troca de ativos realizada podem impactar substancialmente a Companhia de maneira negativa.

A Companhia pode não ser capaz de integrar as operações das empresas adquiridas ou se beneficiar das oportunidades de crescimento.

A Companhia pode vir a buscar oportunidades de crescimento selecionadas no futuro. Tais oportunidades podem expor a Companhia à sucessão de passivos relativos a processos envolvendo as empresas adquiridas, suas respectivas administrações ou passivos contingentes incorridos anteriormente. No caso de haver um passivo relevante associado a estes tipos de oportunidades, ou de a Companhia não obter êxito na integração de qualquer empresa adquirida, a Companhia poderá ser prejudicada de maneira relevante e sua reputação ser impactada negativamente.

Passivos de aquisições não divulgados podem prejudicar a condição financeira e resultados operacionais da Companhia. Caso a Companhia realize aquisições no futuro, tais transações poderão ser estruturadas de tal forma que resultem na assunção de passivos não divulgados ou não identificados durante o processo de due dilligence realizado previamente à aquisição. Tais obrigações e responsabilidades poderiam prejudicar a condição financeira e os resultados operacionais da Companhia.

A Companhia pode não obter êxito em aproveitar oportunidades de crescimento nas quais se envolva no futuro ou em implantar sistemas e controles operacionais, financeiros e administrativos para atingir os benefícios esperados resultantes de tais oportunidades. Tais riscos incluem: (i) não atingimento dos resultados esperados por empresas adquiridas, (ii) possível incapacidade de reter ou contratar pessoal chave das empresas adquiridas e (iii) possível incapacidade de atingir as sinergias e/ou economias de escala esperadas. Além disso, o processo de integração de negócios pode causar a interrupção ou perda de velocidade das atuais atividades da Companhia.

A divisão da atenção da administração da Companhia e atrasos ou dificuldades encontrados em relação à integração destes negócios podem afetar negativamente os negócios da Companhia.

As exportações da Companhia estão sujeitas a uma vasta gama de riscos relacionados às operações internacionais.

Exportações correspondem a uma parcela significativa das vendas líquidas da Companhia, representando 37,4% e 34,0% das vendas líquidas totais acumuladas até 30 de setembro de 2011 e 2012, respectivamente. Os principais mercados de exportação estão sujeitos aos mesmos riscos relativos ao Brasil. O desempenho financeiro futuro da Companhia dependerá, em grande parte, das condições econômicas, políticas e sociais em seus principais mercados de exportação.

Além disso, as operações de exportação podem ser materialmente afetadas por restrições comerciais, impostos de importação ou qualquer outra medida protecionista ou exigência relacionada a licenças de importação e exportação.

A capacidade futura da Companhia de exercer a atividade em mercados de exportação pode ser prejudicada por fatores alheios ao seu controle, tais como:

* flutuação nas taxas de câmbio e inflação em países onde a Companhia está presente e para os quais pode exportar seus produtos;

* controles cambiais;

* mudança nas condições políticas e econômicas de um país ou região específico, principalmente em mercados emergentes;

* consequências negativas resultantes de mudanças regulatórias;

* a dificuldade e custos relativos ao cumprimento das leis, tratados e regulamentos internacionais complexos, incluindo, sem limitações, das leis estrangeiras contra as práticas de corrupção;

* consequências adversas de alterações na legislação fiscal; e

* os custos de distribuição, interrupção nos transportes ou redução na disponibilidade de frete.

A ocorrência de qualquer desses riscos, bem como outros fatores alheios ao seu controle, podem afetar a Companhia negativamente.

Fatos negativos ocorridos em relação à saúde e à segurança de alimentos e/ou à publicidade dos mesmos poderão aumentar os custos das operações ou reduzir a demanda pelos produtos da Companhia.

A Companhia está sujeita a riscos que afetam o setor alimentício em geral, inclusive riscos de contaminação e deterioração de alimentos, envolvendo questões nutricionais e de saúde, além de processos por consumidores. O consumo de produtos com problemas, contaminados ou vencidos pode causar doenças ou danos pessoais. Quaisquer riscos para a saúde, reais ou percebidos, associados com os produtos da Companhia, incluindo qualquer publicidade negativa sobre tais riscos, poderiam provocar a perda da confiança dos clientes na segurança e qualidade desses produtos, reduzindo o nível de consumo dos mesmos, o que poderia afetar negativa e materialmente a Companhia.

Ainda, a Companhia pode estar sujeita a demandas ou processos relacionados a doenças ou danos reais ou alegados, o que pode afetar negativamente seus negócios, independente do resultado final. Mesmo que os produtos da Companhia não sejam afetados por tal contaminação, seu setor pode enfrentar a publicidade negativa caso os produtos de outras empresas sejam contaminados, o que pode resultar na redução da procura dos consumidores pelos produtos da Companhia na categoria afetada. A Companhia mantém sistemas destinados a atender a regulamentos de segurança alimentar; no entanto, os sistemas para o atendimento a regras governamentais podem não ser totalmente eficazes para atenuar os riscos ligados à segurança alimentar. Qualquer contaminação de produtos pode ter um efeito materialmente negativo na situação financeira, resultados e fluxo de caixa da Companhia.

A criação de animais e processamento de carne envolvem riscos relacionados à saúde animal e ao controle de doenças, os quais podem impactar negativamente a Companhia.

As operações da Companhia envolvem bovinos, suínos, cordeiros e aves, exigindo que a Companhia mantenha a saúde dos animais e o controle sobre doenças. A Companhia pode ser obrigada a eliminar os animais ou suspender a venda de alguns de seus produtos a clientes no Brasil e no exterior, no evento de um surto de doença que atinja os animais, tais como (i) a gripe A (HlNl), também chamada de "gripe suína", (ii) no caso de aves, a gripe aviária, (iii) no caso dos suínos, bovinos e alguns outros animais, a febre aftosa, a febre suína clássica "orelha azul" e (iv) no caso do gado, febre aftosa e a encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como "doença da vaca louca". A eliminação da carne de bovinos, suínos, aves ou de outros animais impediria a recuperação dos custos decorrentes da criação ou aquisição desses animais e resultaria em uma despesa adicional com o descarte dos mesmos.

Surtos, ou receios de surtos de qualquer dessas doenças ou outras doenças animais podem afetar negativamente os principais mercados da Companhia, dentro e fora do Brasil. Um surto de grandes proporções pode impactar negativa e materialmente a Companhia.

Qualquer piora nas relações de trabalho com os funcionários da Companhia pode afetá-la negativamente.

A Companhia depende do uso intensivo de mão de obra em suas atividades. A maioria de seus trabalhadores está representada por sindicatos e os seus contratos de trabalho são regulados por acordos coletivos de trabalho. Novos acordos coletivos podem ter prazos mais curtos que acordos anteriores e, caso não seja possível negociar os acordos coletivos em termos aceitáveis pela Companhia, poderá haver um aumento significativo nos custos de mão de obra, piora nas relações de trabalho, retardamentos ou paralizações do trabalho, os quais poderiam ter um efeito substancialmente negativo na Companhia.

Mudanças nas preferências do consumidor podem afetar negativamente os negócios da Companhia.

O setor de alimentos, em geral, está sujeito a mudança nas tendências, exigências e preferências dos consumidores, as quais ocorrem frequentemente e, caso a Companhia não tenha êxito em antecipar, identificar ou reagir a tais mudanças, poderá haver uma redução na procura e nos preços de seus produtos, entre outros, além de um possível efeito negativo material sobre os negócios, condição financeira e resultados das operações.

A Companhia depende de membros de seu alto escalão administrativo e da sua habilidade de recrutar e reter profissionais qualificados.

A Marfrig depende dos membros do seu alto escalão administrativo e de outros profissionais qualificados para implantar suas estratégias comerciais e desempenhar suas operações. A Marfrig depende ainda de sua capacidade de recrutar e reter profissionais qualificados. A Companhia não pode assegurar que não incorrerá em custos elevados para contratar profissionais qualificados. A perda de qualquer um de seus funcionários principais pode afetar negativamente a Companhia.

A Companhia não possui mecanismos de avaliação de desempenho dos órgãos de sua Administração, tampouco de seus respectivos membros.

A Companhia adota práticas de remuneração variável com o objetivo de atrair e reter talentos. Não obstante, atualmente a Companhia não conta com políticas de avaliação de desempenho que estabeleçam mecanismos uniformes para análise de desempenho e consequente atribuição dos benefícios correspondentes em cada nível de performance dos órgãos de sua Administração ou para avaliação do desempenho de seus respectivos integrantes. A não adoção de políticas de avaliação de desempenho poderá acarretar deficiências no equilíbrio entre a remuneração dos membros desses órgãos em comparação às atividades que desenvolvem, e as vantagens fruídas pela Companhia, resultando, potencialmente, em pagamentos de valores desproporcionais, bem como na perda de profissionais importantes de sua Administração.

Os interesses do Acionista Controlador da Companhia podem ser conflitantes com os interesses de seus investidores.

O Acionista Controlador da Companhia possui poderes para, entre outras coisas, eleger a maioria dos membros de seu Conselho de Administração e determinar o resultado de deliberações que exijam aprovação de acionistas, inclusive em operações com partes relacionadas, reorganizações societárias, alienações de ativos, parcerias e a época do pagamento de quaisquer dividendos futuros, observadas as exigências de pagamento do dividendo obrigatório, impostas pela Lei das Sociedades por Ações. O Acionista Controlador da Companhia poderá ter interesse em realizar aquisições, alienações de ativos, parcerias, buscar financiamentos ou operações similares que podem ser conflitantes com os interesses dos seus investidores e causar um efeito material adverso nas atividades, situação financeira e resultados operacionais da Companhia.

A volatilidade e a falta de liquidez do mercado brasileiro de valores mobiliários poderão limitar substancialmente a capacidade dos investidores de vender as ações de emissão da Companhia pelo preço e ocasião que desejam.

O investimento em valores mobiliários negociados em mercados emergentes, tal como o Brasil, envolve, com frequência, maior risco em comparação a outros mercados mundiais, sendo tais investimentos considerados, em geral, de natureza mais especulativa. O mercado brasileiro de valores mobiliários é substancialmente menor, menos líquido e mais concentrado, podendo ser mais volátil do que os principais mercados de valores mobiliários mundiais. A saída de capital estrangeiro do país em períodos de crise econômica pode afetar o preço das ações de companhias listadas na BM&FBOVESPA.

O preço de mercado das ações de emissão da Companhia pode ainda ser afetado por diversas razões exógenas ao desempenho da Companhia, como por exemplo, crises econômicas, mudanças nas taxas de juros, controle no câmbio e restrições a remessas ao exterior, variações cambiais, inflação, liquidez no mercado doméstico financeiro e de capitais e mercado de empréstimos, política fiscal e regime tributário além de outros acontecimentos políticos, sociais e econômicos.

Os titulares de ações de emissão da Companhia poderão não receber dividendos.

De acordo com a Lei de Sociedades por Ações e com o Estatuto Social da Companhia, no mínimo 25% do lucro líquido anual da Companhia, conforme determinado e ajustado, deve ser distribuído a título de dividendo obrigatório. Esses ajustes do lucro líquido para os fins de cálculo da base dos dividendos incluem contribuições a diversas reservas que efetivamente reduzem o valor disponível para o pagamento de dividendos. A despeito da exigência do dividendo obrigatório, a Companhia pode deliberar por não pagar dividendos aos seus acionistas em qualquer exercício fiscal caso seu Conselho de Administração determine que essas distribuições não sejam aconselháveis em vista da condição financeira da Companhia.

Ademais, a Companhia é parte em diversos contratos financeiros, nos quais se obrigou a não efetuar pagamento de dividendos em valor superior ao estabelecido em lei, bem como que restringem sua capacidade de pagar dividendos caso encontre-se em descumprimento de qualquer obrigação prevista em referidos contratos. A Companhia não pode garantir que, no futuro, será capaz de atender às exigências necessárias para efetuar o pagamento de dividendos.

A captação de recursos adicionais por meio de uma oferta de ações poderá diluir a participação acionária dos investidores na Companhia.

A Companhia pode, no futuro, captar recursos por meio da emissão pública ou privada de títulos de dívida, conversíveis ou não em ações, ou de ações. A captação de recursos adicionais por meio da emissão de ações ou de títulos conversíveis em ações poderá, nos termos da Lei das Sociedades por Ações, ser feita com exclusão do direito de preferência dos acionistas da Companhia o que pode resultar na diluição da participação acionária de tais acionistas na Companhia.

Os interesses dos administradores e, em alguns casos, dos empregados da Companhia podem ficar excessivamente vinculados à cotação das ações de sua emissão, uma vez que lhe são outorgadas opções de compra ou de subscrição de ações de emissão da Companhia.

A Companhia possui plano de opção de compra de ações de sua emissão com o objetivo de permitir que seus administradores, empregados e prestadores de serviços ou de outras sociedades sob o seu controle, sujeito a determinadas condições, adquiram ações da Companhia, com vistas a: (a) estimular a expansão, o êxito e a consecução dos objetivos sociais da Companhia; (b) alinhar os interesses dos acionistas da Companhia aos de administradores, empregados e prestadores de serviços da Companhia ou outras sociedades sob o seu controle; e (c) possibilitar à Companhia ou outras sociedades sob o seu controle atrair e manter a ela vinculados administradores, empregados e prestadores de serviços.

A possibilidade de os administradores e funcionários da Marfrig receberem, como parte de suas remunerações, opções de compra ou de subscrição de ações de emissão da Companhia a um preço de exercício inferior ao preço de mercado, pode levar tais administradores e funcionários a ficarem com seus interesses excessivamente vinculados à cotação das ações de emissão da Companhia, em detrimento de suas metas de longo prazo, o que pode causar um impacto negativo aos negócios da Companhia.

Os resultados das operações da Companhia estão sujeitos a sazonalidade e volatilidade que afetam tanto os preços de matérias primas como os preços de venda de seus produtos.

O negócio da Companhia depende em grande parte do custo e do fornecimento de milho, farelo de soja, soja, suínos, leitões, frango, gado e outras matérias primas, bem como dos preços de venda dos seus produtos. Os preços da matéria prima e os preços de venda dos produtos da Companhia são determinados pelas constantes mudanças das forças da oferta e demanda no mercado, que podem variar significativamente, mesmo na ausência de uma crise econômica global, e por outros fatores sobre os quais a Companhia possui pouco ou nenhum controle. Tais fatores incluem, entre outros, variações nos níveis globais de produção de aves, suínos, bovinos e cordeiro, regulamentações ambientais e de conservação, condições econômicas e climáticas, doenças em animais e plantações, custo do transporte internacional e variações na taxa de câmbio. O setor da Companhia, tanto no Brasil como no exterior, também é caracterizado pelos períodos cíclicos de preços e rentabilidade mais elevados, seguidos pela superprodução, levando a períodos de preços e rentabilidade mais baixos. Não é possível para a Companhia minimizar tais riscos através da celebração de contratos de longo prazo com clientes e com a maioria de seus fornecedores, já que tais prazos não são comuns para contratos neste setor. O desempenho financeiro da Marfrig também é afetado pelos custos de transporte nacional e internacional, que por sua vez são vulneráveis à volatilidade do preço dos combustíveis. A Companhia pode não obter êxito ao tratar dos efeitos da sazonalidade e volatilidade dos seus custos e despesas e preços de seus produtos, o que poderia causar um impacto negativo em seu desempenho financeiro geral.

A Companhia é dependente de um número pequeno de grandes clientes.

No período de nove meses findo em 30 de setembro de 2012, as vendas para os 10 maiores clientes da Companhia corresponderam a 29,6% de suas vendas líquidas, em relação a 25,6% no período de nove meses findo em 30 de setembro de 2011. Em 30 de setembro de 2012, os 10 maiores clientes da Companhia corresponderam a cerca de 37,4% de suas vendas líquidas no mercado interno, sendo que um único cliente correspondeu a 16,7% das vendas líquidas totais. A Companhia espera que a concentração de vendas em um número pequeno de clientes aumente em 2013, devido à consolidação de clientes decorrente da troca de ativos com a BRF. A perda de qualquer um dos grandes clientes e a incapacidade de assegurar negócios substitutos pode ter um efeito negativo sobre o negócio, resultados operacionais e condição financeira da Companhia.

A tendência de consolidação nos setores de seus clientes pode afetar negativamente a Companhia.

Alguns dos clientes da Companhia, tais como redes de supermercados, lojas do tipo club e distribuidores atacadistas de alimentos passaram por consolidação nos últimos anos. A tendência de consolidação criou consumidores grandes e sofisticados, com maior poder de compra e, portanto, maior capacidade de operar com estoques reduzidos, resistir a aumentos de preços e exigir preços mais baixos, descontos e produtos personalizados. Os clientes podem ainda utilizar os espaços destinados aos produtos da Companhia para exporem seus próprios produtos concorrentes. Caso não tenha êxito em reagir a essa tendência de mercado, a Companhia poderá enfrentar um menor aumento no volume de vendas ou ser forçada a reduzir preços ou aumentar os gastos promocionais. Qualquer um dos fatores citados poderia impactar negativamente a Companhia.

A Companhia enfrenta forte concorrência de empresas brasileiras e estrangeiras na produção, industrialização e venda de seus produtos.

O mercado em que a Companhia opera é altamente competitivo. A Companhia enfrenta forte concorrência de empresas brasileiras e estrangeiras na produção, industrialização e comercialização de seus produtos com relação a custo e qualidade da matéria prima e mão de obra.

Os principais fatores de concorrência na indústria transformadora de proteínas animais são eficiência operacional e a disponibilidade, qualidade e custo das matérias primas e da mão de obra, preço, qualidade, segurança alimentar, distribuição dos produtos, inovações tecnológicas e fidelidade à marca. A capacidade da Companhia de ser um concorrente eficaz depende da sua capacidade de competir com base nestas características. Adicionalmente, alguns dos concorrentes da Companhia possuem mais recursos financeiros e maiores portfólios de produtos e clientes que a Companhia. Caso a Companhia não tenha êxito em manter sua posição competitiva no mercado, ela poderá enfrentar uma redução em sua participação de mercado, o que pode, por sua vez, afetar negativamente os resultados de suas operações.

A Companhia está sujeita a uma vasta legislação e regulamentação governamental no Brasil e nos mercados internacionais em que opera, bem como nos países para os quais exporta seus produtos.

A principal atividade comercial da Companhia - a produção, processamento e comercialização de produtos alimentícios, nos mercados doméstico e de exportação - e suas instalações estão sujeitos a leis e regulamentos federais, estaduais e municipais dos mercados em que opera, bem como a regulamentos e inspeções relacionadas ao processamento, acondicionamento, armazenagem, distribuição, publicidade e rotulagem. Os produtos da Companhia são frequentemente inspecionados por oficiais de segurança alimentícia estrangeiros e qualquer reprovação em tais inspeções pode resultar na exigência de retorno total ou parcial de um carregamento ao seu país de origem, destruição total ou parcial do carregamento ou em custos relativos a atrasos na entrega dos produtos aos clientes da Marfrig. Todos esses fatores podem causar um impacto negativo e material na Companhia.

Adicionalmente, alterações em regulamentos governamentais relativos às principais atividades comerciais da Companhia em países em que ela opera e em países para os quais realiza exportações podem aumentar significativamente a carga de ônus da Companhia, incluindo exigências de realização de investimentos adicionais ou outros custos não previstos para atender a especificações necessárias para os produtos, os quais podem causar um impacto negativo e material na Companhia.

Leis e regulamentos ambientais podem vir a exigir investimentos adicionais para cumprimento com os mesmos, e resultar em penalidades criminais e administrativas em caso de descumprimento.

Assim como outros produtores de alimentos no Brasil, em outros mercados internos em que opera, a Companhia está sujeita a diversas leis, regulamentos, autorizações e licenças ambientais nos âmbitos federal, estadual e municipal relativos a outros assuntos, tais como o manuseio e descarte de resíduos, emissão de poluentes no ar, água e solo e limpeza de áreas contaminadas, todos os quais podem afetar os negócios da Companhia. No Brasil, a Marfrig deve ainda preservar ambientalmente determinadas áreas localizadas em propriedades onde ela ou seus parceiros realizam atividades, devendo tais áreas estar registradas nas respectivas escrituras dos imóveis. A Companhia detém propriedades cujas escrituras não identificam tais áreas. Qualquer descumprimento a tais leis e regulamentos ou falta de autorização ou licença pode resultar em penalidades administrativas e criminais. No Brasil, as multas podem chegar a até R$50 milhões, podendo ser aplicadas outras penalidades, como o cancelamento de autorização ou revogação de licenças, publicidade negativa e responsabilidade por remediação dos prejuízos ambientais em processo civil, o que pode resultar em valores substanciais, conforme comprovado por decisões anteriores de tribunais sobre a mesma jurisprudência, sem limites para os valores indenizáveis.

A Companhia incorreu e continuará a incorrer em despesas operacionais e de capital para atender a tais leis e regulamentos. Tendo em vista a possibilidade de futuras medidas regulatórias não previstas ou outros acontecimentos, principalmente em relação ao aumento da rigidez das leis ambientais no Brasil e em outros mercados domésticos em que a Companhia opera, o valor e cronograma de futuros dispêndios necessários para manutenção de compliance poderão aumentar em relação aos níveis atuais e afetar negativamente a disponibilidade de recursos para investimentos e para outros fins. O cumprimento das regras existentes ou novas leis e regulamentos ambientais poderá resultar no aumento de custos e despesas para a Companhia.

A Companhia está sujeita a riscos relacionados aos países da América do Sul.

Além das operações no Brasil, também faz parte da estratégia da Companhia a diversificação do risco de suas operações em outros países na América do Sul, como a Argentina, o Chile e o Uruguai. Em 30 de setembro de 2012, as vendas líquida das operações da Companhia na Argentina e no Uruguai representaram total de 11,0% do total de suas receitas líquidas, das quais 3,5% e 1,9% foram originadas no mercado interno desses países, respectivamente. A Companhia está sujeita a riscos relacionados às condições econômicas, políticas e sociais em outros mercados internos em que opera na América do Sul. A Companhia pode ser impactada negativamente por fatores fora de seu controle nestes mercados, tais como:

* a interferência dos governos locais em políticas econômicas;

* a instabilidade da taxa de câmbio e a desvalorização da moeda local;

* a piora nas condições econômicas;

* inflação e taxas de juro;

* controles cambiais e restrições de remessas para o exterior;

* políticas e leis fiscais;

* liquidez nos mercados financeiro e de capitais; e

* outros fatores econômicos, políticos e sociais em ou que afetem os mercados internos em que a Companhia opera na América do Sul.

A ocorrência de qualquer um dos fatores citados, bem como qualquer outro fator que afete as condições econômicas, políticas e sociais dos mercados internos na América do Sul em que a Companhia pode impactá-la negativa e materialmente.

Restrições comerciais mais severas nos principais mercados de exportação podem impactar negativamente a Companhia.

Em vista da crescente participação de mercado de produtos brasileiros feitos a partir de aves, suínos e bovinos em mercados internacionais, exportadores brasileiros têm sido cada vez mais afetados por medidas impostas por países importadores que visam protegerem produtores locais.

A competitividade das empresas brasileiras levou alguns países a criarem obstáculos comerciais, limitando o acesso de empresas brasileiras aos seus mercados ou até mesmo a oferecerem subsídios aos produtores locais. Alguns países impõem quotas sobre os produtos brasileiros de aves e suínos e os atrasos ao alocar tais quotas ou alterações nas leis ou políticas relativas a tais quotas podem afetar negativamente as exportações da Companhia.

Qualquer das referidas restrições pode afetar o volume de exportações da Companhia e, consequentemente, suas receitas operacionais (dos mercados de exportação) e condições financeiras. No caso de barreiras comerciais criadas recentemente nos principais mercados de exportação da Companhia, pode ser difícil realizar a venda dos produtos em outros mercados em condições favoráveis, o que pode causar um impacto negativo e substancial na Companhia.